João Bosco e Vinicius falam
de fama, sucesso e perseverança
O ano de 2011 é de muita alegria para João Bosco & Vinícius. A dupla sul-mato-grossense celebra 18 anos de carreira com uma turnê que os tem levado à média de 20 shows por mês. A maioridade musical proporcionou a eles também uma grande conquista. Na disputa pelo prêmio de Melhor Álbum de Música Sertaneja da 12ª edição do Grammy Latino, os artistas derrotaram a favorita Paula Fernandes.
A 16 dias de fazer um show beneficente em Rio Preto, a dupla bateu um papo com o Diário. Eles falaram sobre a alegria de dividir as conquistas com o público rio-pretense. Segundo João Bosco, o show na cidade é uma oportunidade para agradecer tudo que Rio Preto e região proporcionou à dupla. A apresentação acontece no dia 9 de dezembro, no Villa Conte.
Os ingressos antecipados custam R$ 90 e R$ 150. A renda será revertida às instituições rio-pretenses Betel, Fulbeas e Instituto Rio-pretense dos Cegos. O show será baseado no DVD mais recente, mesclado com sucessos dos discos anteriores. “Chora, Me Liga”, canção nacional mais executada nas rádios em 2009, entra no set list, assim como “Terremoto”, “Canto, Bebo e Choro” e “Curtição”. Do novo DVD, certamente fazem parte do repertório “Tarde Demais” e “Marcas”.
Logo no início do bate papo, João Bosco deu uma notícia que deve alegrar os fãs. “Não vamos nos separar”, afirmou aos risos, fazendo referência aos recentes problemas de relacionamento de Zezé Di Camargo e Luciano. “Antes de sermos parceiros de palco, eu e Vinícius somos amigos”, afirmou. A amizade e dedicação à música começou na infância (participaram de concursos de calouros no Mato Grosso do Sul e, durante anos, tocaram em bares e festivais, até se tornarem um dos maiores fenômenos do sertanejo universitário.
Veja agora a entrevista abaixo cedida:
Diário - O que um artista precisa hoje para se manter no mercado musical sertanejo?
João Bosco - Precisa de emprenho, dedicação e um bom repertório. Show vende show. As apresentações têm de ter animação. O público tem de ir ao show e esquecer dos problemas, deixar de lado as dívidas e as frustrações. Nosso papel é levar uma hora e meia de pura diversão. A dupla também precisa pensar na música como um trabalho sério e disciplinado.
Vinícius - Eu e João Bosco passamos por todas as etapas que um artista sertanejo precisa passar para valorizar o trabalho. Começamos como uma dupla de amigos, fizemos oito anos de shows em bares enquanto fazíamos faculdade, até que conseguimos chegar onde chegamos. Hoje, para uma dupla ter longevidade, ela precisa ter perseverança. Uma hora você acerta.
Diário - O sertanejo ganhou um verniz mais pop e já há algum tempo esse novo sertanejo é um dos gêneros mais populares do País. Como vocês avaliam esse momento?
João Bosco - O sertanejo sofreu mudanças no decorrer dos anos. Acho que a mais significativa mudança foi que o gênero deixou de ser algo interiorano e se tornou urbano. Também tivemos fases distintas. Na época de Tião Carreiro & Pardinho, ainda era algo muito rural, com Zé Di Camargo & Luciano o sertanejo já ganhou um tom moderno. Acho tudo válido. Mudaram alguns arranjos, mas a essência continua a mesma: com canções que falam de amor. O que não concordo são as banalidades, não só na música sertaneja, mas nos estilos em geral.
Vinícius - O sertanejo, desde que era chamado de música caipira, passou por vários processos de modernização. Com a tecnologia, equipamentos e instrumentos, seria inevitável não ampliar e evoluir. O válido é a identidade que o artista quer transmitir.
Diário - Qual é a relação de vocês com Rio Preto?
João Bosco - Tenho vários amigos. A região de Rio Preto foi a primeira a nos recepcionar. Considero (a região) como uma das melhores do Brasil para se trabalhar com o sertanejo.
Diário - Além da música, vocês atuam como empresários na cidade. Como é conciliar as duas carreiras?
João Bosco – Lidamos numa boa. Abrimos a Le Beef, que é uma butique de carnes, porque percebemos que conforme o tempo vai passando você começa a se resguardar, aproveitar o momento e cercar-se de pessoas de confiança para tocar seus negócios. Viver de música, a gente sabe que vai viver para o resto da vida, mas o sucesso e o auge são passageiros. Temos de aproveitar o momento para garantir uma vida satisfeita e digna daqui algum tempo, não só dependendo da música.
Vinícius - E Rio Preto tem potencial, é uma cidade rica e próspera, que está em crescimento.
Diário - Vocês já tiveram algum problema parecido ao do Zezé Di Camargo e Luciano? Já pensaram em se separar?
João Bosco - Somos amigos desde quando tínhamos 9 e 10 anos. Antes de nos tornamos dupla, éramos amigos. Essa amizade é levada para o palco, com um alta dose de respeito. Discussão e desavenças sempre tem, é igual casamento. Nessa hora, tem de haver diálogo, baixar a bola e tentar manter uma “vibe” positiva. O segredo é acreditar e respeitar. Zezé Di Camargo e Luciano são nossos amigos e já está tudo solucionado entre eles. Aquilo foi uma discussão de camarim que foi para o palco.
Diário - O que os fãs representam para vocês?
Vinícius - É a peça fundamental na nossa vida e carreira. É um grande termômetro de como está nossa popularidade. A palavra fã é um alicerce para nós, artistas.
Diário - Deixe um recado para os fãs de vocês.
João Bosco - Quero convidar a galera para ir ao show, agradecer o carinho e amor das pessoas pela dupla e pelo nosso som. Temos verdadeira paixão por Rio Preto e região.
Vinícius - Vamos levar o que temos de melhor para Rio Preto. Fazer um mix de canções do novo projeto com as canções mais importantes da carreira. Será um show bem para cima. Vamos fazer uma superfesta.